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Turismo
Ilha Grande: Uma das maravilhas do Rio de Janeiro

Quando fui convidado para escrever um artigo sobre turismo, antes de acabar de ler o e-mail-convite, já tinha decidido sobre qual destino falaria. Sabe aquele lugar que quando uma pessoa te pede uma dica de viagem ele vem logo à cabeça? Pois é, para mim esse lugar tem nome: Ilha Grande. E tem endereço: fica na baía de Ilha Grande, no estado do Rio de Janeiro. Um lugar simples e aconchegante, próximo à badalada Angra dos Reis, donde parte a maioria das embarcações rumo à ilha. Não, carro não entra...
Cachoeiras, trilhas, mata atlântica, praias quase desertas. É este o cenário da Ilha Grande, bem conhecida dos cariocas e paulistas. Como o nome já diz, a ilha é grande. São 193Km2, mais de 100 praias e dezenas de atrativos. A principal vila é a do Abraão, onde se concentra o maior número de pousadas, restaurantes e campings. Há também agências turísticas que oferecem guias e passeios de barcos para todas as partes da ilha diariamente. E um pequeno comércio. Do lado oposto ao Abraão, é o canto selvagem da ilha. Praias inóspitas com Parnaióca, Aventureiro e Proveta, esta habitada quase que exclusivamente por evangélicos. Ilha Grande, é considerada um patrimônio nacional e também é reconhecida como Reserva da Biosfera da Mata Atlântica pela Unesco.
Para se chegar a esse paraíso, é preciso ir até uma das três cidades que oferecem traslado: Angra dos Reis, Mangaratiba e Conceição de Jacareí. Em Angra e Mangaratiba há maior concentração de balsas, que partem assim que atingem a lotação mínima e um barco do governo carioca, com capacidade para 500 pessoas, que parte diariamente em horários fixos. Nessas cidades encontra-se facilmente estacionamento para deixar o carro. E pra quem prefere ir de ônibus, há uma linha que liga Belo Horizonte à Angra dos Reis. A história da ilha não é tão bela quanto ela. Navios negreiros, piratas, presídios. Personagens folclóricos também constam dessa história. Os mais populares são Madame Satã, que teve sua vida gravada num filme homônimo e Escadinha, traficante que cumpria pena no presídio da praia de Dois Rios e projetou uma fuga espetacular e bem sucedida de lá. Hoje esses ecos do passado não mais assombram. Pelo contrário. São atrações para os visitantes. Barcos naufragados servem de ponto de mergulho, o presídio de Dois Rios é aberto à visitação, na vila há ainda as ruínas do Lazareto e o Aqueduto, que merecem uma visita. Para os fãs de esporte, há lugares para a prática de rapel, trekking e surf.
Mas, o que realmente impressiona na ilha são as praias. As águas são verdes-azuis, se é que existe essa cor. Numa recente eleição para escolher as sete maravilhas do estado do Rio de Janeiro, Ilha Grande ficou em 2º lugar. Atrás apenas do Pão de Açúcar. Lopes Mendes, uma outra praia, é apontada pelo Guia 4 Rodas como uma das mais belas do Brasil. Aventureiro, no lado selvagem da ilha, é, no mínimo, indescritível. Há ainda várias outras. E a melhor maneira de conhecer as belezas deste lugar é pelas trilhas. A maioria muito bem demarcada o que dispensa o acompanhamento de guias. Se preferir, há opções de passeios em barcos ou lanchas. Inclusive há a opção de dar a volta na ilha. Caminhando leva de 4 a 7 dias, de lancha apenas 1! Mas claro que caminhando você vai descobrindo paisagens exclusivas e o contato com a natureza nos faz relaxar.
Definitivamente, Ilha Grande é um lugar que merece ser visitado. E consegue agradar diferentes tipos de viajantes. Pra quem prefere viajar com os amigos ou com a família e também quem prefere ir com aquela pessoa especial. Há pousadas, hotéis, albergues e campings. E não só em Abraão. Nos quatro pontos cardeais da ilha você conseguirá se hospedar. A melhor época para curtir as praias e montanhas da ilha, são os meses não chuvosos, de abril a novembro. Lembrando que a locomoção principal é pelas trilhas, na época de chuva o passeio poderá ficar comprometido. Além disso, os dias são mais claros o que torna o mar ainda mais belo.Vale também um reforço no preparo físico, pois passar uma semana caminhando, exige um certo esforço. Mas nem se preocupe, pois a cada passo que cansa, há uma vista que descansa. A ilha é linda!

João Vicente é Bacharel em Turismo

 

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