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Sábado de Aleluia na famosa “Feirinha” de Puerto Iguazu/Tríplice Fronteira/Argentina

08 de abril de 2023 – Rumamos ao país Hermano, à tardezinha. Saímos de Foz do Iguaçu pela Avenida Cataratas até à Aduana brasileira, sem nenhum problema, trânsito tranquilo, sem filas de espera, sem fiscalização ou qualquer transtorno.

A amolação começa ao chegarmos na ponte Tancredo Neves, que divide os dois países, pois é ali que principia a longa fila de carros até o transpasso da aduana Argentina, três quilômetros aproximadamente, a passos de tartaruga.

Antes porém, observa-se ao lado da Aduana Argentina o Duty Free Shopp, onde pode-se comprar importados a preços palatáveis com isenção de imposto, cujo teto é $500 dólares.

Na aduana hermana, vidros do automóvel abertos, carteiras de identidade nas mãos, identificação visual da polícia local, informação de destino e intenção, autorização concedida e prosseguimento do trajeto, também sem nenhum transtorno maior do que a infindável espera.

Inicialmente nota-se sinalizações para as Cataratas Argentina, onde está situada a famosa “Garganta do Diabo”, indicações de vários cassinos, instituições, etc.

O melhor lugar para se chegar a famosa feirinha é pela rotatória das sete ruas, isso mesmo, uma rotária, ou como se diz em castellano: “rotonda”, que contém sete ruas ao seu largo, simplesmente incrível.

 

Antes de ingressar na feira, três coisas valem a pena fazer em Puerto Iguazú, abastecer, comprar carne e vinho. – Gasolina barata, picanha a preço de banana e vinho a preço de água.

Então vejamos: existem duas filas nos postos de gasolina da cidade, uma específica para brasileiros e outra para os argentinos. Os brasileiros pagam o valor de 271,7 pesos por litro de gasolina, ao passo, que o argentino paga 242,9 pesos, estando o cambio a um real por setenta pesos, no posto escolhido, na data de feitura desta reportagem, logo, pagamos  135,85 reais, e os argentinos 121,45 reais por trinta e cinco litros de gasolina. ¿Barato não¿ Para ser mais específico, a gasolina custou 3,88 reais o litro.

No interstício do abastecimento, flagramos um ato que parece comum por ali, servidores do posto abastecendo dezenas de galões de gasolina ao preço argentino, e colocando no interior de um automóvel Van branca, com placa argentina, contudo, não se sabe a identificação do motorista e seus auxiliares. Obviamente intuímos que seja para contrabando, para o Paraguai através dos rios ali existentes, ou para o Brasil através da rodovia fronteiriça.

Questionado sobre os fatos o bombeiro em tom ríspido e intimidador mandou este que vos relata, afastar-se. Ato contínuo, fomos hostilmente seguidos pelo supracitado automóvel Van, porém, com astúcia e tirocínio que nos é peculiar, livramos dos mesmos sem maiores problemas, mas fica o relato da tramoia que não é segredo pra ninguém.

Seguimos para a carniceria ou frigorífico, onde compramos uma famosa marca de picanha argentina, Dom Ramon, espetacular capa de gordura, com os indescritíveis marmóreos de grasa que entremeiam a peça. Pagamos pela mesma, ao cambio do frigorífico, um real – 65 pesos,  que ficou em 3664 pesos, o equivalente a 56 reais.

Pela peça Bife Chorizo, que pesou 4,160 kg, pagamos 9609,60 pesos, o que equivale em reais 147,00 ou 35,00 o kg, de uma das mais saborosas carnes do mundo.

Sem mais delongas, as vinhotecas argentinas são verdadeiros nirvanas para os enófilos, e também para os pobres mortais! Para se ter uma ideia, um Casillero del Diablo custa pouco mais de 15,00 reais, e um simples reservado em torno de 8,00 reais.

Finalmente, a famosa feirinha, com suas tiendas, bodegas, vinhotecas, artesanatos indígenas, entre outras mil maravilhas. Lugar aprazível, bom para comer legítima tápia de cuadril argentina a preço popular, comprar um excelente queijo negreiro parmesão super cura, doces de leite, alfajores, azeitonas exóticas, empanados típicos, degustar um bom vinho, e tomar umas boas cervejas, principalmente, a notória Quilmes.

Pena que este escrevinhador que lhes narra os fatos não o pode fazer, ou seja, sorver o álcool, haja vista, que estava a dirigir. Sempre lembrando: Se for beber não dirija, e se for dirigir não beba! Aliás, a fiscalização deste tipo de infração ou crime neste lugar específico não é muito intensa, porém, caso seja flagrado incurso em um destes atos, você estará simplesmente lascado! Fica a dica.

Um ótimo lugar pra ir e que agrada muito aos brasileiros é a barraca Gela Guela, cerveja gelada, picanha no ponto e ótimo atendimento. O local é bem lúdico, ornado em suas paredes com bandeiras dos principais clubes de futebol da América do Sul: Atlético Mineiro, Palmeiras, Grêmio, Santos, Boca Juniors, River Plate, Racing, Estudiantes de La Plata, Independiente, Penarol, Nacional, Olímpia, Cerro Porteño, não deixando de contemplar também, times de menor tradição, como Fortaleza, Náutico, Paranaense, Sport, Libertad, Lanús, Patronato, Bolivar, Juniors da Colombia, Bolivar, Colo Colo, etc.

As melhores barracas, produtos e atendimentos ficam na frente da rua principal da feirinha. A infraestrutura é bem profissional, atendentes qualificados, produtos de classe, e um ar de liberdade para quem gosta de ver movimento e gente de todo o planeta.

Mas como nem tudo são flores, especificamente na data de hoje, não demos muita sorte na Barraca da Mirian, que se situa praticamente no término dos becos da feira, aquele boteco raiz, pra quem gosta de se esconder, assistir jogos de futebol argentino, o famoso “copo sujo”, boca escura, taciturno para pelintras. Todavia, com a ausência do proprietário que toca o lugar, a bodega estava à deriva, o navio sem o timoneiro. O dono é um senhor muito boa praça e atencioso, torcedor fervoroso do San Lorenzo, time do Papa, e toca o perreco no peito e na raça, tentando ao máximo satisfazer a quem lá costuma frequentar, no entanto, como diz o ditado: quando o Gato sai, os ratos fazem a festa! Dito e feito.

Pedimos o prato da casa, uma picanha completa, que vem a carne, arroz, feijão e batatas fritas. Segundo o garçom, um dublê de argentino, na verdade brasileiro falando portunhol, a refeição serviria muito bem duas pessoas, entretanto, como duas crianças franzinas e inapetentes acompanhavam dois adultos em franco regime, pedimos o rango assim mesmo, com a ressalva de retirar o feijão e colocar mais arroz. Acho que foi  a primeira vez que o termo: coloca mais água no arroz foi usado, ao invés de mais água no feijão.

Neste ínterim, pedimos quatro empanados de carne picante, que em um piscar de olhos já estava à mesa. Mas, vou lhes dizer uma coisa, comemos por constrangimento viu, porque pela rapidez da entrega e pela temperatura da coisa, devia ser descarte de outro pedido há tempos estacionado em um canto ermo ali, todavia, já sabemos como funciona a rivalidade Brasil-Argentina, e tudo bem, releva-se e arrasta na esportiva.

Mas a cereja do bolo foi o prato principal, a tal picanha completa. É rir pra não chorar! Um tantinho de carne chinfrim, um cadinho de arroz e um monte de batata amarujenta e encharcada, deveras feita em gordura velha. Mas, como Inês é morta e a fome apertava àquela altura, comemos todo o grude, com grande insatisfação. A supressão do feijão e o suposto acréscimo de arroz,  que na minha opinião não ocorreu, só mostra o tamanho da crise financeira em que está mergulhado a Argentina, infelizmente!

Além do péssimo acolhimento dos atendentes, ao final, recebi de troco cinco reais, totalmente plastificada com durex, um verdadeiro coice em turista mais incauto, o que o certamente não colou conosco, que reivindicamos uma cédula apropriada, e assim foi feito, após um diminuto rebuliço dos embusteiros ali envolvidos na tentativa de golpe.

Todavia, pra fecharmos com chave de ouro e desamargurar o corazón, passamos pela feira de páscoa que ocorria na praça do Exército Argentino, e também no marco das três fronteiras, onde miramos a ponte da integração, o nosso marco brasileiro das três fronteiras e a fabulosa roda gigante colorida e lancinante.

Por fim, assistir o não menos extraordinário barco Kattamaram II, navegando pelo Rio Iguaçu, aonde estavam a bordo nossos amigos Cecília e Gerson, que inclusive, nos convidaram dia antes, a fazer esse passeio.