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OPINIÃO
Celibato Sacerdotal
Os primeiros padres da Igreja Católica não eram, necessariamente, celibatários. A Igreja não exigia dos clérigos o voto de castidade, admitindo o casamento de eclesiásticos. Com o advento do segundo Concilio de Latrão, em 1.139, os casamentos de padres foram invalidados e suas esposas consideradas concubinas. Os filhos nascidos desses casamentos ou concubinatos tornaram-se oficialmente propriedades da Igreja, como escravos. Houve protestos de padres, sobretudo no norte da Itália e na Alemanha, porém em vão. A partir dessa época passou a vigorar uma compulsória lei universal do celibato clerical que, na prática, era observada com restrições, inclusive em Roma. A clericalização, a rigor, surgiu como norma obrigatória no quarto Concílio de Latrão, em 1.215, convocado e presidido pelo papa Inocêncio III. Ficou decidido nesse Concílio a obrigatoriedade de renúncia ao casamento, pelos clérigos. E Gregório III, eleito papa, conclamou toda a cristandade leiga a boicotar os ofícios dos padres casados, cujas esposas foram perseguidas e humilhadas com o aval do Vaticano.
Em verdade, a Igreja de Roma jamais se importou com o comportamento sexual dos clérigos. Sua preocupação, desde o papado de Benedito VIII, não era propriamente com o celibato sacerdotal; era com o patrimônio da Igreja em mãos de famílias clericais ambiciosas, o que ainda perdura.
Escândalos sexuais envolvendo padres e outros religiosos de oficio sempre existiram. Até a bem pouco tempo eram abafados, muitas vezes pelo próprio Vaticano, ao preço de altas indenizações em dinheiro. A pedofilia, objeto de badalação na mídia nos dias atuais, é apenas um pingo d'água no oceano de imundices do gênero no clero, e não é de hoje. Muitos papas, bispos e padres tiveram mulheres, esposas ou amantes, com a tolerância do Vaticano. Teoricamente, com a ordenação proibia-se-lhes a vida sexual, mas a realidade sempre foi outra. O papa Inocêncio VIII, eleito em 1.484, por exemplo, era pai de doze filhos e celebrou o casamento de um deles no Vaticano. Seu antecessor, Alexandre VI era um libertino. Júlio III nomeou cardeal um jovem de dezessete anos, que era seu amante. O conceito de "Pureza Espiritual" foi para as cucuias. Não tem mais credibilidade do que a teoria do "Pecado Original", absurda avaliação negativa que Santo Agostinho, libertino e herege antes de converter-se ao cristianismo, fez da sexualidade no casamento, por mera conveniência eclesiástica. Ninguém leva a sério; nem a cúpula da Igreja. Creio, como cristão, que está na hora da Igreja de Roma, por seu supremo líder espiritual e administrativo, repensar a questão da abolição do celibato sacerdotal. Afinal, o casamento jamais foi empecilho à santidade.
 

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