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Nossa Terra
REFLORESTAMENTO COM ESPÉCIES NATIVAS É POSSÍVEL.

O texto ao lado trata-se da letra de uma cantiga composta por Augusto Jatobá, e retrata antiga preocupação com a extinção das Florestas Atlântica e Amazônia. Estes são dois dos mais importantes biomas florestais brasileiros, possuidores de grande riqueza biológica. Fauna e flora com extrema diversificação, mas de forma preocupante, ameaçados pela exploração descontrolada.
Qual a importância em preservar as reservas florestais existentes? Todos sabemos que existem diversas respostas possíveis. Mas como preservar em um mundo cuja economia estimula a exploração de nossas riquezas naturais? Talvez a melhor forma de preservar nossas riquezas seja a busca por recursos alternativos e renováveis.
Os reflorestamentos são uma alternativa, pois enquanto se exploram áreas destinadas ao uso sustentável, diminuem-se as pressões nestas áreas e preservam-se remanescentes florestais importantes.
E quando os remanescentes não mais remanescem? Recuperar a biodiversidade perdida também é possível, pois apesar de pouco domesticadas as espécies florestais de origem nativa, podemos desenvolver projetos florestais com espécies nativas, propondo certamente, uma forma de manejo exploratório sustentável.
O grande impulso para a escolha de espécies nativas como objeto de projetos de reflorestamento, curiosamente é a infeliz situação de escassez destas espécies em ambientes naturais. Espécies como o Cedro e o Mogno vêm recebendo status de “ouro verde” devido à elevada valorização de sua madeira no mercado internacional. Plantar espécies como estas pode ser, além de um bom negócio, a busca pela recuperação de uma diversidade biológica cada vez mais reduzida.
Os negócios relacionados aos recursos naturais cada vez mais estão em destaque, seja de forma a se limitarem sua ocorrência pelo caráter de devastação, imposição dos órgãos ambientais, seja pelo caráter de valorização da consciência ecológica. Parece discurso naturalista, mas não é. Aliar preservação e conservação com lucratividade é uma boa e crescente modalidade de agronegócio.
A reboque das espécies nativas passiveis de incorporarem projetos de reflorestamento, surgem espécies exóticas pouco domesticadas mas que apresentam grande potencial comercial, como é o caso da Teca da Índia (Tectona grandis), cuja madeira é muito procurada para decoração de interiores luxuosos e mobiliário fino.
A diversificação de atividades desenvolvidas em propriedades rurais é um aspecto saudável para a sustentabilidade do negócio. De mesma forma, a diversificação de espécies a serem adotadas em projetos de reflorestamento podem preencher lacunas de mercado em função da sazonalidade inerente a atividade, garantindo melhores resultados e equilíbrio financeiro do empreendimento.
Um estudo de mercado é sempre importante, saber o quanto vale o produto que se pretende oferecer é fundamental, tal qual a importância de se conhecer a cultura que se pretende iniciar. Conhecer limitações, dificuldades, vantagens e adaptações, auxilia na estruturação do próprio projeto.
Por fim, definido o perfil de seu projeto, busque por materiais de qualidade e que certamente estarão isentos de pragas e doenças, recorrendo a produtores de mudas certificadas e registradas junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA. Há um grande número de produtores de mudas no mercado , contudo, nem todos estão habilitados a comercializar produtos de qualidade adequada, a garantia de bons frutos.

Custódio Felício de Andrade.
Engenheiro Florestal graduado pela UFV
Biólogo licenciado pela UNIGRANRIO
Especialista em Planejamento
Municipal pela UFV
Coordenador Florestal e Ambiental
do Grupo S&D Florestal

 

Matança
Autor/Compositor: Jatobá

Cipó caboclo tá subindo na virola / chegou a hora do pinheiro balançar / sentir o cheiro do mato da imburana / descansar morrer de sono na sombra da barriguda.
De nada vale tanto esforço do meu canto / pra nosso espanto tanta mata haja vão matar / tal mata atlântica e a próxima amazônica / arvoredos seculares impossível replantar.
Que triste sina teve cedro nosso primo / desde menino que eu nem gosto de falar / depois de tanto sofrimento seu destino virou tamborete, mesa, cadeira, balcão de bar.
Quem por acaso ouviu falar da sucupira? / Parece até mentira que o jacarandá / antes de virar, poltrona, porta, armário,
morar no dicionário, vida eterna milenar.
Quem hoje é vivo corre perigo / e os inimigos do verde, da sombra.
O ar que se respira e a clorofila das matas virgens destruídas bom lembrar.
Que quando chegar a hora / é certo que não demora / não chame nossa senhora / só quem pode nos salvar.
É caviúna, cerejeira, baraúna / imbuia, pau d’arco, solva / juazeiro, jatobá /
gonçalo-alves, paraíba, itaúba / louro, ipê, paracaúba / peroba, massaranduba, carvalho, mogno/ canela, imbuzeiro / catuaba, janaúba, arueira, araribá / pau-ferro, angico, amargoso, gameleira / andiroba, copaíba, pau-brasil, jequitibá.

 

 

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