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Nossas Histórias
Ausência de passeios nas vias públicas: sério risco de acidentes para a população
Nossas cidades elegeram como prioridade para circulação os veículos automotores. Paulatinamente vamos nos americanizando, neste setor. Dizem que Bom Despacho hoje tem 15 mil automóveis para uma população de 45 mil habitantes. Isto quer dizer um carro para cada três pessoas. Tal estatística,se verdadeira, está ou não bem perto da dos Estados Unidos? Mas aqui como lá é preciso pensar uma paisagem urbana que leve em conta também aqueles que andam a pé.
O automóvel é hoje símbolo do progresso. Eu diria mesmo que ele tomou o lugar de nossos queridos totós. Dizia-se que o melhor amigo do homem é o cachorro. Hoje o melhor amigo nosso já é o carro. Todo mundo quer ter um e não abre mão de suas utilidades e de sua companhia.
Tudo bem. Viva o progresso, o desenvolvimento tecnológico, o trabalho, o lazer e o prazer que o automóvel nos proporciona. Mas a partir do momento que um objeto, um instrumento passa a ter prioridade sobre os valores humanos, aí é preciso que a sociedade passe a refletir para fazer uma mudança de rota comportamental. Se transformamos nossas vias públicas em autopistas sem segurança para as pessoas, é porque colocamos em segundo plano estas mesmas pessoas que por ela também têm o direito de transitar em segurança.
Se as faixas de pedestres são feitas com tinta de 5ª. categoria, logo desaparecendo, como os motoristas vão enxergar o que restou delas, para darem preferência aos que se arriscam a usá-las?
Se a cidade aboliu ou não ordenou a construção de passeios em vários locais, obrigando os transeuntes a circularem perigosamente entre veículos apressados e perigosos, é porque a vida humana, nesse caso, está valendo menos que este moderno instrumento de quatro ou mais rodas.
Em nossa cidade, a todo momento, há gente correndo o risco de serem atropeladas porque, por onde transitam, não existe calçada para poderem caminhar seguramente. Dia destes, na minha caminhada matinal, ousei atravessar a passagem entre a Vila Aurora rumo ao Bairro Esplanada. Para cumprirem suas tarefas também dirigiam-se a este último bairro, à minha frente, mas bem junto a mim, loquazes mulheres, umas muito jovens, outras não, falando de seu trabalho de capinadoras e varredoras de rua. Aliás um trabalho muito nobre, do qual tanto nos beneficiamos, sem nos lembrarmos, às vezes, de lhe darmos o merecido valor, pois sob o sol escaldante destes tempos de aquecimento global, sob chuva ou castigadas por ventos cortantes, lá estão elas, diariamente, capinando ervas daninhas, varrendo nossas portas e desmatando praças mal cuidadas, numa prevenção ao nosso atual inimigo público número um: o famigerado mosquito da “denga”.
Mas contava eu aos meus caríssimos leitores que junto àquelas bravas trabalhadoras, íamos na estreita faixa que liga a Vila Aurora ao Esplanada. Íamos pela direita , na mão, como mandam as leis de trânsito, porém havia gente que vinha em sentido contrário. E, no meio desses cordões humanos, sobrava uma estreita faixa de rua para os automóveis passarem. Por duas vezes, nesse espaço e nesse tempo, dois deles se cruzarem e aí a distância que sobrou ,entre ambos e os transeuntes daquela manhã nublada de fevereiro, foi mínima, milimétrica. Qualquer vacilo, não tenho dúvidas de que grave acidente teria ocorrido e talvez uma ou mais vidas ceifadas. Infelizmente, esta tragédia anunciada no trânsito não é privilégio daquela perigosa travessia. Só para exemplificar citarei mais três pontos, dentre dezenas de outros, igualmente ameaçadores para os pobres pedestres bondespachenses ou para visitantes que ousam se aventurar por eles: A entrada da Vila Gontijo no beco da fazenda do Senhor Antônio Ferreira.A avenida que liga a Praça da Câmara Municipal ao Bairro do Rosário, construída sobre o leito da antiga estrada de ferro. Nestes locais , simplesmente não há uma nesga de passeio e as pessoas têm de andar na via pública, entre carros que vêm e vão em considerável velocidade.
O terceiro ponto é um dentre os de maior trânsito de carros, e de estudantes, de cidadãos em busca de consultas médicas ou dos serviços da Santa Casa, retornando ou vindo de suas residências de bairros como Vila Gontijo, Vila Aurora, Santa Ifigênia e Esplanda, dirigindo-se ao Velório Municipal ou ao SESC.
Há também o beco que constitui o pedacinho final da Rua Coronel Tininho, mas os ocupantes da atual administração municipal, tempos atrás, autorizaram, inexplicável e irresponsavelmente, a construção de imóveis sem respeitarem um decreto municipal dos tempos do saudoso prefeito Antônio Leite, ordenando que as novas construções daquele trecho fossem afastadas visando ao alargamento do beco. Prova disso é que o prédio levantado pelo professor Antônio de Pádua e o Bar do Zé Tibúrcio na esquina da Rua dos Operários seguiram o dispositivo municipal. Afastaram-se dando abertura maior à rua.
Porém, tempos depois, a Prefeitura fez vistas grossas e aprovou obras que se mantiveram no limite antigo e sepultaram para sempre o projeto da urgente e necessária abertura daquela ruela tão movimentada quanto perigosa. Como somos todos responsáveis pela cidade em que vivemos, pela segurança e melhor qualidade de vida de sua gente, incluindo nós mesmos, como sociedade, como eleitores, cabe-nos cobrar do prefeito e dos vereadores( em último caso ao Exmo. Sr. Promotor de Justiça) que corrijam esta crônica falta de construções de passeios para os pedestres, principalmente em locais tão ameaçadores à nossa integridade física, diante dos automóveis.
Necessário também se faz cobrar desta mesma sociedade e de seus representantes eleitos que ,nos novos bairros e nas ruas e praças que estão se abrindo ou vão se abrir, quando o trânsito de veículos automotores for privilegiado,lembrem-se que mais importante que a máquina é o homem, para quem não podem faltar calçadas por onde possa andar livre, despreocupado e com segurança.
É importante notar que até na abertura de novos bairros, ruas e praças, alguns proprietários de imóveis, extrapolando seus limites, simplesmente deixam um espaço exíguo e miserável para a construção dos passeios, sob o olhar complacente dos órgãos de fiscalização da Prefeitura Municipal, até em obras administradas por ela, como no caso da Avenida Dr. Roberto.
Isto precisa ter um fim.
 

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